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O Segredo Que Ficou no Hospital

Chương 1

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— Não venda o apartamento. Meu filho vai morar aí por 3 anos. Já está decidido.
Patrícia mandou aquilo no grupo da família enquanto eu dobrava uma camiseta para a viagem de formatura da minha filha.
Não perguntou se podia. Nem sequer falou comigo antes.
Logo abaixo, minha sogra respondeu:
— Finalmente alguém pensando no futuro dessa família.
Eu estava na cozinha, com uma mala aberta sobre duas cadeiras.
Júlia, minha filha de 18 anos, tinha acabado de prestar o vestibular.
Pela primeira vez em muito tempo, eu fazia planos que não incluíam resolver os problemas dos outros.
Meu nome é Marina.
Naquela época, eu trabalhava no financeiro de uma distribuidora em São Paulo e estava casada com Eduardo havia 18 anos.
O apartamento na Vila Mariana era meu desde antes do casamento.
Meus pais tinham ajudado na compra, e eu havia terminado de pagar o financiamento antes de me casar.
Depois vieram condomínio, escola, mercado, contas.
Quase tudo saía da minha conta.
Mas bastou Júlia terminar o ensino médio para Patrícia, irmã de Eduardo, decidir que o imóvel estava disponível.
Caio, filho dela, não tinha passado no vestibular.
Segundo Patrícia, ele precisava de cursinho, tranquilidade e do mesmo endereço que havia dado tanta sorte à prima.
Meu marido respondeu com um simples polegar levantado.
Fiquei olhando aquele pequeno desenho na tela por alguns segundos.
Era a assinatura dele embaixo de mais uma decisão sobre a minha vida.
O telefone tocou.
— Você viu o grupo? — Eduardo perguntou.
— Vi.
— A Patrícia fala desse jeito, mas não é por mal.
Continuei dobrando a camiseta.
— Então diga a ela que não pode ficar aqui.
— Marina, eu estou no meio.
— Você está ao lado dela. É diferente.
Ele suspirou, como se eu tivesse transformado uma simples gentileza em um problema.
— É só até o menino entrar na faculdade.
— Ela escreveu três anos.
— A gente pode negociar.
— Comigo ninguém negociou.
Júlia apareceu na porta.
Parei de dobrar a roupa quando percebi que ela estava ouvindo.
— Resolva com sua irmã, Eduardo. Hoje.

Na manhã seguinte, ele voltou da padaria com meu pão preferido.
Colocou o saco sobre a mesa e puxou uma cadeira.
— Conversei com ela. Podemos começar com um ano.
Eu nem toquei no café.
— Você chama isso de resolver?
— Ela é minha irmã.
Abri a gaveta da cozinha e tirei uma pulseira de ouro.
Minha mãe havia me dado aquela pulseira quando comecei a trabalhar.
Patrícia tinha pegado emprestada para um casamento.
Devolvera com o fecho torto e uma marca funda.
O ourives explicou que alguém havia tentado arrancar uma parte da peça.
Eduardo estava comigo quando ouvi aquilo.
— Você lembra do que disse? — perguntei.
Ele olhou para a pulseira.
— Isso faz tempo.
— Disse que eu ia destruir a família por causa de um pedacinho de ouro.
Júlia encostou a mão no meu ombro.
— Mãe, vende. Eu não quero que você continue aqui por minha causa.
Naquela tarde, telefonei para a corretora que já vinha avaliando o imóvel.
Havia uma proposta.
Eu a aceitei, sujeita à conclusão da documentação.
Depois, mandei no grupo a matrícula, os comprovantes da compra e a quitação anterior ao casamento.
Por último, escrevi que o apartamento seria vendido.
As ligações começaram antes mesmo que eu pousasse o telefone.
Eduardo entrou no quarto e encontrou minha pasta de documentos aberta sobre a cama.
Entre as escrituras havia um envelope antigo da clínica onde tínhamos feito exames depois do nascimento de Júlia.
Ele puxou o envelope.
— Você guardou isso?
Peguei de volta.
— Guardei tudo.
Seu rosto mudou.
— Se você expuser minha família, eu conto à Júlia o que você escondeu de mim naquele hospital.
Naquela noite, a ameaça ficou repetindo na minha cabeça.
Abri o envelope e revi a cópia de um exame dele.
No canto inferior, abaixo do carimbo, havia uma data quatro meses anterior à consulta que tínhamos feito juntos.

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