A Ordem de Punição do Crepúsculo
Capítulo 2: A FÚRIA SOB O SOBRETUDO
Os médicos zombaram quando impedi um erro fatal e me mandaram lembrar que eu era "só uma enfermeira". Eles só não sabiam que eu era noiva do líder da máfia coreana, e agora dez SUVs cercavam o hospital enquanto ele subia até o meu andar...
Capítulo 2
Jae Min deu o primeiro passo para fora do elevador.
Sem gritos. Sem armas à mostra.
Apenas o som pesado de seus sapatos de couro batendo contra o chão reluzente da cardiologia, num ritmo compassado e ameaçador, como uma contagem regressiva.
Logo atrás dele vinham quatro homens imponentes em ternos pretos impecáveis, vasculhando cada canto com um olhar afiado e calculista. Ao lado deles estava Caleb Park — conselheiro do hospital —, com o rosto lívido e a testa encharcada de suor frio.
O corredor inteiro congelou.
As enfermeiras estagnaram ao lado dos carrinhos de medicação. Alguns residentes deram passos para trás, colando as costas na parede e mal ousando respirar.
Mas o doutor Spencer Hale ainda não tinha percebido a tensão sufocante no ar. A arrogância cega de quem sempre esteve no topo da cadeia alimentar hospitalar falava mais alto.
Hale franziu a testa e marchou até a entrada do posto de enfermagem:
— Ei! Esta é uma unidade de terapia intensiva! Quem vocês pensam que são para entrar aqui com capangas desse jeito? Cadê a segurança?
Jae Min não parou. Ele nem sequer dignou Hale com um olhar.
A dois passos de distância, um dos seguranças à esquerda de Jae Min apenas inclinou o corpo, pousou uma mão pesada como aço no ombro de Hale e o empurrou para o lado. O gesto não exigiu esforço algum, mas fez Hale cambalear e colidir com força contra o balcão, derrubando uma pilha inteira de prontuários.
— O que pensa que está fazendo...? — rosnou Hale, o rosto vermelho de humilhação. — Segurança! Chamem a polícia agora!
— Cale a boca, doutor Hale, se ainda quiser manter o seu CRM.
A voz veio de trás de Jae Min. Era Caleb Park.
Hale estancou. Seus olhos se arregalaram ao reconhecer o homem mais influente do conselho financeiro da instituição:
— Senhor... Senhor Park? O que significa isso...
Caleb nem se deu ao trabalho de olhar para ele. Passou direto e se inclinou respeitosamente ao abrir a porta da sala de reuniões, de onde o doutor Briggs acabava de sair atraído pelo barulho.
— Senhor Kwon, por aqui, por favor — disse Caleb, com a cabeça baixa.
Só então Jae Min parou.
Ele virou o rosto. Seus olhos, tão frios quanto o inverno de Chicago, varreram o mar de rostos atônitos até encontrarem exatamente o meu.
Naquele milésimo de segundo, o olhar dele amoleceu, tomado por uma ternura protetora que só eu conhecia. Mas, num piscar de olhos, transformou-se em pura frieza ao se voltar para o chefe Briggs e Spencer Hale.
— Ella — chamou ele, com a voz grave e calma. — Venha aqui.
Tiffany, que estava ao meu lado, puxou de leve a manga do meu jaleco. Ela tremia dos pés à cabeça:
— Ella... você... conhece esse homem?
Eu não respondi. Dei um passo à frente, saindo do canto do corredor e caminhando até Jae Min.
Quando me aproximei, ele pegou minha mão gelada. Apertou meus dedos com firmeza, transmitindo uma segurança inabalável, e então encarou Briggs:
— Ouvi dizer que vocês têm uma regra aqui chamada "cadeia de comando"?
O doutor Briggs parecia petrificado diante da porta. Gotas de suor escorriam por suas têmporas. Como alguém habituado aos círculos de poder da cidade, Briggs sabia exatamente o peso do nome de Jae Min Kwon e da Kwon International Logistics. Significava a fortuna inalcançável da elite dos negócios e, nas sombras, um império armado que ninguém em sã consciência ousava desafiar.
— Senhor... Senhor Kwon... — balbuciou Briggs. — Houve algum mal-entendido? Estávamos no meio de uma reunião de alinhamento clínico...
— Mal-entendido? — Jae Min arqueou o canto dos lábios num sorriso sem calor. — Há poucos minutos, nesta mesma sala, vocês fizeram um linchamento moral contra a minha noiva.
O corredor inteiro puxou o ar ao mesmo tempo.
Spencer Hale parecia ter visto um fantasma. Sua pele perdeu qualquer vestígio de cor:
— Noiva...?
— Exatamente — Jae Min cravou os olhos em Hale. — A mulher a quem você acabou de se referir como "só uma enfermeira". A mesma a quem você ordenou que "lembrasse do seu devido lugar".
Hale gaguejou, os joelhos fraquejando visivelmente:
— Eu... eu só estava falando sobre o protocolo... Ela passou por cima da minha autoridade...
— Ela salvou uma vida humana da sua incompetência e arrogância — a voz de Jae Min caiu para um tom sombrio, cortante como navalha. — E o preço que ela pagou foi ser humilhada na frente de todos pela equipe à qual dedicou os últimos quatro anos da vida dela.
Puxei a barra do sobretudo escuro de Jae Min, falando baixo:
— Jae Min, você prometeu não interferir no meu trabalho.
Ele virou o rosto para mim, os olhos cheios de dor contida:
— Eu prometi porque achei que este lugar a trataria com o mínimo de dignidade e justiça, Ella. Não vou ficar parado assistindo à mulher que amo ser pisoteada por fazer a coisa certa.
Ele voltou a encarar Caleb Park:
— Caleb.
— Às suas ordens, senhor Kwon.
— Qual é a porcentagem do orçamento operacional do setor de cardiologia financiada pelo fundo da Kwon Holdings?
Caleb deu um passo à frente e respondeu em voz alta, ecoando pelo corredor silencioso:
— Quarenta e cinco por cento do orçamento anual, senhor. Além disso, a nova ala oeste está sendo construída com garantias diretas do nosso grupo. As cláusulas contratuais são explícitas: temos o direito de retirar o aporte imediatamente caso a administração cometa violações graves de conduta ou ética médica.
O rosto do doutor Briggs desmoronou. Cortar quase metade do orçamento significaria fechar leitos, cancelar pesquisas e destruir completamente sua carreira como chefe do departamento.
— Senhor Kwon! Por favor! — implorou Briggs, a voz trêmula. — Isso foi apenas um atrito interno de rotina, podemos resolver isso agora mesmo...
— Resolver como? — Jae Min cortou com desprezo. — Forçando-a a calar a boca e assumir a culpa pelo erro de outro?
Ele deu um passo na direção de Spencer Hale. Hale recuou em pânico até bater com as costas na parede, sem um pingo da empáfia de minutos atrás.
— Doutor Hale — disse Jae Min, cada palavra caindo como uma sentença. — Você realmente acreditou que o seu diploma de medicina lhe dava o direito de brincar com vidas e pisotear quem consertou a sua negligência?
— Eu... peço desculpas... Senhorita Morgan, me perdoe... — balbuciou Hale, incapaz de erguer os olhos.
— O seu pedido de desculpas não vale nada — Jae Min voltou-se para Briggs. — Vocês têm exatamente uma hora para formalizar esse caso pelos canais corretos. Caso contrário, amanhã de manhã o St. Catherine terá novos donos.
No instante em que a tensão atingiu o limite, a porta corta-fogo no fim do corredor foi aberta com violência.
Um grupo de fiscais do Conselho Regional de Medicina, acompanhado por dois investigadores do Ministério Público, entrou a passos largos.
O homem à frente segurava uma pasta lacrada com fita vermelha e projetou a voz com autoridade:
— Quem são o doutor Spencer Hale e o doutor Briggs? Temos uma denúncia urgente e mandados em andamento por fraude em prontuários e recebimento de propina para testes clínicos ilegais em pacientes idosos nesta unidade.
O choque foi unânime.
Spencer Hale arregalou os olhos, tremendo tanto que mal conseguia se sustentar em pé, enquanto o doutor Briggs desabou sobre a cadeira mais próxima.
Olhei para Jae Min, mas em seu rosto não havia apenas fúria; havia também um lampejo de surpresa.
Aquele dossiê não tinha vindo dele nem de Caleb.
Quem, então, havia reunido provas tão contundentes nos bastidores?